A importância da estratégia na Copa do Mundo

“Todos podem ver as táticas empregadas nas
minhas conquistas; mas o que ninguém pode
visualizar é a estratégia que as possibilita”.
Sun Tzu

A Copa do Mundo de 2022, que será disputada no Catar, poderá ser a última
copa com a participação 32 seleções. A FIFA tem um projeto para aumentar o número de
seleções participantes para 48.
Em 2022, vamos completar 20 anos desde que o Brasil foi campeão pela última
vez. Nesse período, o futebol evoluiu muito na preparação física e na parte tática. Vale
ressaltar que na Eurocopa 2020, disputada por 24 seleções, as equipes jogaram com alta
intensidade e de forma ofensiva. As seleções marcaram 142 gols em 51 partidas. A média
de gols foi de 2,78 por jogo.
Considerando a evolução do futebol praticado nos diversos continentes,
principalmente em função do constante intercâmbio de treinadores e jogadores, a
diferença entre seleções está cada vez menor. A intensificação da concorrência incentiva,
cada vez mais, o pensamento estratégico, onde as ações necessárias para a disputa de uma
Copa do Mundo devem ser meticulosamente planejadas.
A palavra estratégia, derivada de “strategos” (general), teve sua origem nos
campos de batalha. Em sua acepção original referia-se à formulação dos planos a serem
executados por um exército para atingir os objetivos fixados para guerra. Com o passar
do tempo, o conceito perdeu sua conotação puramente bélica e foi sendo adaptado para
diversas áreas do conhecimento onde existissem adversários.
Em relação ao futebol, a estratégia é um conjunto de medidas planejadas e
adotadas, dentro ou fora de campo, as quais proporcionarão aos jogadores condições mais
vantajosas para buscar a vitória num jogo ou em uma competição. Nesse sentido,
podemos afirmar que talentos individuais não são suficientes para a conquista do título.
Para tal, também é indispensável que dirigentes e comissão técnica formulem uma grande
estratégia para a competição.
A história das copas revelou que as seguintes medidas foram observadas na
estratégia das seleções campeãs do mundo: escolha de um treinador com carreira
vitoriosa, liderança, visão tática e estratégica; elenco tecnicamente qualificado
(mesclando novos jogadores com aqueles que já disputaram Copa do Mundo); equipe
com padrão de jogo e com capacidade de alternar sistemas durante a partida e ao longo
do torneio; organização tática; preparação física adequada; espírito de grupo; estudo
detalhado dos adversários, da tabela da competição, da melhor forma de se adaptar ao
clima e ao fuso horário, utilização da ciência em apoio ao desempenho, gerenciamento
eficiente dos aspectos logísticos (escolha da sede, influência dos deslocamentos aéreos
e/ou terrestres…) e o apoio da torcida.

Sérgio Vieira Reale
Oficial da Reserva da Marinha
Autor do Livro Guerreiros da Bola

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